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Nomes de estádios em Manaus abrigam histórias de personalidades.

Ao andar pelas ruas de Manaus, você já deve ter se deparado com centros esportivos com nomes como os de Vivaldo Lima, Ismael Benigno e Carlos Zamith, mas você sabe quem são estas figuras e por que deram nomes a estádios na capital amazonense? O PortalD24AM pesquisou a história destas personalidades e mostra por que eles foram homenageados ‘batizando’ os três principais estádios de Manaus.

Lembrado como uma das maiores figuras do futebol no Amazonas, o médico, advogado e sóciofundador do Nacional Fast Clube, Vivaldo Palma Lima, deu nome ao estádio que passou a funcionar em 1970, em Manaus, e, até hoje, após sua demolição, é considerado um monumento clássico pelos entusiastas do futebol local.

Fanático por futebol e torcedor do Nacional, Vivaldo Lima também se destacou na política, sendo eleito deputado federal, em 1947. Ao lado de Plínio Ramos Coelho, foi o primeiro a propor a construção de um estádio de grande porte na capital amazonense. 

Apesar da iniciativa de Vivaldo, o lançamento da pedra filosofal do estádio só veio em 1955, quando Coelho foi eleito governador.

A obra ficou parada por cerca de nove anos e só foi retomada em 1964, já no governo de Arthur Cézar Ferreira, que contratou o arquiteto Severiano Porto e deu a ele a missão de construir o “maior e mais bonito estádio da região”.

Vivaldo Lima morreu em 1949, aos 72 anos, duas décadas antes da inauguração oficial do estádio com o qual sonhava.

De Colina à Ismael Benigno
Inaugurado em 1961, com o nome de Estádio Gilberto Mestrinho, foi apenas em 1977, após sua primeira grande reforma, que a famosa ‘Colina’ passou a se chamar Estádio Ismael Benigno, homenageando aquele que é conhecido como o maior benfeitor do São Raimundo Esporte Clube, do qual foi fundador, e “o mais querido filho” do bairro de mesmo nome, localizado na zona oeste de Manaus.

Para a família de Benigno, toda nascida no bairro de São Raimundo, sempre foi motivo de orgulho ser reconhecida pelos méritos que, segundo o neto, também chamado Ismael Benigno, são todos do avô.

“Numa época em que a crônica esportiva e o rádio andavam ao lado do futebol, ele se dividia entre a rádio Difusora e o clube. Seu Ismael foi o responsável direto por cada uma das fases de construção do estádio. Como o esforço era quase pessoal, a obra era inaugurada em etapas: primeiro o campo, depois os muros, as arquibancadas e assim por diante. Cada etapa era inaugurada com festa”, relembrou.

Ismael Neto contou que, hoje, 36 anos após a morte de ‘Seu Ismael’, seu avô ainda é querido e lembrado no bairro.

“Tenho o orgulho de ter sido um dos poucos clientes do Jokka Loureiro, dono de uma famosa peixaria da região, a ter recebido permissão para ficar no restaurante após o horário de funcionamento”, brincou.

“No dia em que nos conhecemos, eu disse meu nome ao Jokka e, como resultado, ganhei uma taça de presente, além de poder ouvir, mais uma vez, sobre como meu avô é querido até hoje”.

Ismael Benigno foi vereador, deputado estadual e nomeado Prefeito de Manaus, em 1958, pelo então governador Plínio Ramos Coelho. A vida política o iniciou na prática de atender a população carente em sua própria residência. 

“Ele foi político querido, o que é algo raríssimo hoje em dia. Mesmo depois de deixar a vida pública, uma romaria se aglomerava na porta de sua casa, diariamente, atrás de mantimentos, fraldas, remédios, roupas e todo tipo de ajuda. A mesa de jantar da família estava sempre cheia dessas coisas”, declarou Neto.

Após sua morte, em 1978, a diretoria do São Raimundo decidiu homenagear Ismael dando à Colina o nome de Estádio Ismael Benigno. No ano seguinte à morte de Benigno, a vereadora Josefa Vasquez deu o nome de Praça Ismael ao logradouro em frente à igreja de São Raimundo Nonato, em Manaus.

‘Enciclopédia’ batiza estádio feito para Copa
O terceiro e mais recente nome a ser lembrado é o do jornalista Carlos Zamith, conhecido no Amazonas pela coluna esportiva ‘Baú Velho’, que mais tarde deu origem ao livro de mesmo nome.

Com a escolha de Manaus como uma das cidades-sede da Copa do Mundo 2014, o então governador do Estado, Omar Aziz, determinou que o novo Campo Oficial de Treinamento (COT), construído no Coroado e inaugurado seis meses atrás, recebesse o nome do cronista esportivo, falecido, em julho de 2013, aos 87 anos.

Autor de três livros - Baú Velho (1999), Histórico das 42 Decisões do Campeonato Profissional 1964 a 2005 (2006) e Baú Velho 2ª Edição (2007) - Zamith é considerado o maior pesquisador da história do futebol do Estado e passou a ser chamado de ‘enciclopédia do futebol amazonense’ devido à extensa coleção de dados registrados a punho em cadernetas, como datas de jogos, formação das equipes, minutos dos gols e arbitragem.

Após a morte do jornalista, seu filho Carlyle Zamith manteve o acervo do pai preservado e continua a divulgar a obra de Carlos Zamith na versão online do Baú Velho, criado pelo próprio jornalista ainda em vida, onde posta dados históricos e notícias atuais relacionadas ao futebol local.

Apesar de não ter recebido nenhuma seleção durante o mundial, o Estádio Municipal Carlos Zamith, com capacidade para 5 mil torcedores e um custo de R$ 15 milhões, é considerado um legado da Copa e tem sido usado com frequência em jogos de torneios do futebol local, como os campeonatos amazonense infantil, juvenil, feminino e Série B do masculino.

Fonte: d24am.com

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